quinta-feira, 24 de julho de 2014

2 anos




A dois anos atrás eu estava saindo pela primeira vez de um show de stand up num teatro grande. Antes, durante a tarde, tinha ido na livraria pra tentar pegar um autógrafo e trocar uma ideia com o Danilo Gentili que, algumas semanas antes, tinha me seguido no Twitter pra ver minhas piadas. Comprei o livro e esperei na fila com o mesmo cagaço que hoje em dia sinto antes de subir no palco. Todo mundo ia, apertava a mão dele, tirava foto e já chamavam o próximo. Chegou a minha vez, e antes de eu falar qualquer coisa, ele já me zoou "Opa, Mateus Carniceiro né? Não é Carneiro, é CaRniceiro mesmo."
"E aí, velho. É Caniceiro. Sem o R. Trouxe o livro pra vc assinar e..."
"CaRniceiro. Tudo bom? Pegou os ingressos que eu te dei?"
"Ingressos? Vendi meu playstation pra comprar o meu."
"Porra, eu falei que te dava. Quantos você quer?"
"Não precisa. Valeu."
"Eu vejo seu Twitter. Você escreve stand up? Daí te coloco no Comedians como open mic."
"Sério?"
"Você quer mesmo? A gente dá um jeito."
"Quero..."
O produtor interrompeu: "Depois vocês conversam porque agora tem uma baita fila aí."
"Espera aí, eu escrevi o nome dele errado aqui. Deixa eu arrumar...Pronto, ficou uma bosta!"
"Ficou massa. Valeu"
"Ficou uma bosta. Você vai no show hoje?"
"Vou."
"Beleza então. Falou, velho."
"Falou."
(foi mais ou menos assim)
Pela primeira vez eu percebi que realmente podia fazer isso. Que um dia eu podia fazer igual: subir num palco de um teatro cheio e fazer todo mundo dar risada com as minhas ideias. Dava pra fazer, eu vi.
No mês seguinte deu a louca nele e me chamou no Skype "...vai fazer ou não?"
"...claro. Vou fazer aqui em Curitiba pra ir me preparando..."
Escrevi umas coisas e no final do mês pedi pro Jefferson Todor pra fazer um open no show dele, que deixou e me deu uma baita força sempre que precisei.
Comecei e estou trabalhando e me esforçando pra chegar meu dia de sair de um show de stand up num teatro grande de novo, mas não como plateia, como comediante.

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